Esta sessão exibe perguntas que foram enviadas ao Dr Arthur Cardenaz após sua explanação sobre problemas de circulação, em TV da cidade de Pouso Alegre, recentemente. Esperamos que as respostas sejam úteis e esclarecedoras.

1- Vitória, de Pouso Alegre: após 35 anos de idade e dois filhos, comecei a apresentar varizes. Como bancária, trabalhava 8 horas por dia, com calçado de salto alto, subindo e descendo escadas. Minha irmã, de 31 anos, com apenas um filho de 08 anos, começou a apresentar varizes desde a gravidez. Nossa mãe, já falecida, nunca apresentou varizes, porém, nosso pai tem varizes desde a mocidade. Pergunto: qual a causa destas varizes?
Dr A. Cardenaz: excelente questão, Vitória. A doença varicosa é bastante mítica, ou seja, carrega “lendas” e conceitos totalmente errôneos que estão enraizados na cabeça de muitas pessoas. Os antigos tendiam a pensar que o aparecimento de varizes se devia ao uso de salto alto, calças apertadas, ao ato de subir escadas, trabalhar em pé, andar de bicicleta, pegar peso... e por aí vai. A medicina moderna provou que estes conceitos estavam completamente errados! Varizes aparecem por predisposição genética, ou seja, hereditária! A pessoa já nasce com tendência a formação de varizes após uma certa idade. Esta predisposição pode vir de mãe, de pai, de tios, avós ou de todos juntos. A hereditariedade não escolhe sexo, portanto, aparece tanto em homens quanto em mulheres. No caso de mulheres já com predisposição, o aparecimento de varizes é acelerado com uso prolongado de hormônios estrogênicos (anticoncepcionais), gravidez e obesidade. Dessa forma, Maria, no seu caso específico, as varizes apareceram não pelo salto alto ou pelas escadas que você sobe diariamente mas, sim, por você ter herdado de seu pai a predisposição e por ter passado por duas gestações. Digo o mesmo para sua irmã.

2 - Cristiano, de Borda da Mata: homens também podem ter varizes?
Dr A. Cardenaz: perfeitamente, Cristiano. A tendência hereditária é a mesma para homens e mulheres. O problema é que os homens ficam “intimidados” e reticentes quanto a procurar um médico para uma avaliação de varizes. Muitos acham isto “frescura” e acabam por postergar uma consulta. Vários chegam a desenvolver feridas e flebites após muitos anos de varizes não tratadas.

3 - Antonia, de Pouso Alegre: minha mãe tem 82 anos e possui varizes desde que eu me conheço por gente. Já teve hemorragia nos pés várias vezes. Os vasinhos “estouram” e esguicham sangue! O que eu faço?
Dr A. Cardenaz: esta é uma das complicações mais freqüentes em se tratando de varizes antigas e não tratadas adequadamente. O nome pra isso é varicorragia. O pé começa a inchar e formar uma espécie de “coroa” de vasinhos desde o tornozelo até a planta (sola). Os ingleses chamam a isto de ankle flare. Esta coroa possui centenas de vasinhos que, de tão finos e expostos, se rompem ao mínimo toque ou trauma. Hoje, existem métodos muito modernos de aplicação que ajudam a destruir esta “coroa”, evitando sangramentos (hemorragias).

4 - Aparecida, de Silvianópolis: dois médicos me disseram que eu tenho varizes por que minha safena está doente. Me aconselharam cirurgia, mas não pediram nenhum exame específico pra confirmar esta doença. Devo confiar neles?
Dr A Cardenaz: todo médico merece respeito e confiança, Aparecida, isto é fato. Mas eu questiono: eles são especialistas? São titulados em doenças da circulação? Digo isso pois considero um absurdo alguém se submeter a cirurgia sem exames prévios que confirmem a verdadeira causa (etiologia) de suas varizes. Na Europa ninguém, repito, NINGUÉM se submete a uma cirurgia de varizes sem um ultra-som vascular (duplex) prévio. Como um médico generalista ou especialista, por mais experiente que seja, pode ter a certeza que suas varizes advêm de uma safena doente? Existem muitas outras causas para o aparecimento de varizes, que não a safena.

5 - Lourdes, de Congonhal: tenho varizes desde nova e hoje, com 58 anos, apareceu uma ferida em meu tornozelo, que vasa muito (escorre “água”). No posto de saúde disseram que é uma “úlcera varicosa”. Minha mãe faleceu há dois anos, e também tinha úlcera. Minha vizinha me disse que se a úlcera fechar eu posso até morrer, pois a água que sai é a infecção que o organismo expulsa. Isto é verdade?
Dr. A. Cardenaz: isto é outra lenda, Lourdes, totalmente sem sentido. “Feridas”, também conhecidas como úlceras varicosas, só aparecem quando existe um quadro muito antigo de varizes. Ou também aparecem alguns anos depois de uma trombose venosa mal tratada. No caso de uma úlcera varicosa, esta “água” que escorre de sua perna é um líquido claro e rico em proteínas e substâncias provenientes de inflamação, também chamado de exsudato. Este líquido é a prova que sua ferida está mal tratada com curativos inadequados. Outra coisa: quando uma ferida “vasa muito” isto é sinal que você não está respeitando o repouso que deveria fazer pois, sem repouso, por mais caro que seja o remédio e o curativo que você use, a ferida não fecha. Isto é fato! Mas veja bem: existem técnicas modernas que ajudam a fechar rapidamente uma ferida, como o Laser e a Espuma Densa, além de curativos hidrocolóides, alginato cálcico e até mesmo a bota de Unna. E pra terminar: não acredite que uma “benzetacil” e comprimidos de “castanha-da-Índia” ou “diosmina-esperidina” vão fechar sua ferida. Apesar de importantes, estes remédios só aliviam o problema, não curam coisa alguma. Diga pra sua amiga que acreditar que a “água que sai da ferida expulsa a infecção” é uma tremenda ignorância.

6 - Pedro, de Pouso Alegre: já tive dois “vermelhões” em minha perna, com íngua e febre. O médico do posto-de-saúde me disse que era “febrite” e que eu devia procurar um especialista. Não procurei. Agora, com 45 anos, meu pé e minha perna estão inchando muito... até os dedos estão mais grossos. A pele está dura e enrugada. Existe cura pra “febrite”?
Dr. A. Cardenaz: caro Pedro, vamos por partes. O termo correto é FLEBITE, não “febrite”. Particularmente, não acredito que você tenha tido uma flebite mas, sim, uma ERISIPELA ou linfo-celulite. Isto é muito comum, principalmente em homens. Aparece quando existe uma “porta de entrada” nos pés ou tornozelo, como por exemplo unha encravada com pus, frieiras (micoses), rachaduras no calcanhar, picada de inseto, má higiene, etc. A bactéria (germe) entra por estas “portas” e atinge a gordura abaixo da pele, produzindo infecção. Também atinge alguns vasos chamados linfáticos, que se inflamam e são destruídos. Estes vasos linfáticos são os responsáveis pela retirada da água (em excesso) dos pés. Portanto, caso sejam destruídos ou avariados, não recolhem o excesso de água (linfa) adequadamente, e a pessoa passa a ter um acúmulo (inchaço) de água no pé e tornozelo, que é chamado de linfedema. A pele passa a ter um aspecto rugoso, como “casca de laranja”. Dessa forma, você está apresentando uma “seqüela” de erisipela mal tratada. Infelizmente, o linfedema é de difícil controle, mas não impossível. É necessário que o especialista faça uma avaliação da extensão do seu linfedema e proponha um tratamento específico para o seu caso.

7 - Maria Eugênia, de Pouso Alegre: tenho varizes há mais de 10 anos e nunca procurei o médico pra isso. Após uma viagem de ônibus pra Aparecida (SP), uma das varizes ficou muito vermelha, dura e inchada. Não tive febre mas a dor no local era forte. Procurei um farmacêutico amigo que me aplicou uma benzetacil e passou cataflam pra tomar. Não melhorou muito. Usei “pano-quente” com salmora. Também não melhorou muito. O vermelhão começou a correr pra outras veias. Fiquei desesperada e procurei o pronto socorro. O médico me deu uma bronca e ordenou repouso. Comecei a fazer o tal repouso e o vermelhão nas veias foi sumindo, mas elas ficaram escuras e duras. Isso é “febrite”? Preciso operar as varizes?
Dr. A. Cardenaz: que susto, heim Eugênia?! Seu caso é típico de FLEBITE (dizer “febrite” é errado). Isto é a consequência de varizes antigas e sem tratamento. Quando se viaja muitas horas, principalmente em ônibus, as varizes ficam túrgidas (cheias) e costumam inflamar, causando a chamada flebite (vem do termo flebos – veia – e ite – inflamação). Você deu sorte, pois uma simples flebite pode se transformar em trombose. A maioria dos casos de flebite não é infecciosa, ou seja, não está associada a germes (bactérias), portanto, não adianta se “entupir” de antibióticos. Calor local e “salmora” não ajudam em nada! Cada caso deve ser analisado isoladamente. Sim, se as suas varizes já estão inflamando desta forma, é melhor procurar o angiologista para discutir o tratamento ideal pra você.

8 - Maria Isabel, de Ouro Fino: sempre vejo na TV produtos pra varizes. Já comprei dois: um era em forma de comprimido que dizia acabar com as varizes. Outro era um creme que se a gente passasse todos os dias os vasinhos iam sumindo. Gastei um bom dinheiro e não vi melhora nenhuma. Como apareceram na TV, achei que podia confiar. Estes produtos funcionam mesmo?Devo continuar usando?
Dr. A. Cardenaz: pois é, Isabel... Infelizmente você não é a primeira, e muito menos a última, a cair nestas verdadeiras “pilantragens” televisivas. Existem canais de televisão especializados em venda de produtos “fajutos”. São os chamados “caça níqueis” modernos. Eles apresentam produtos que dizem ser a “8ª maravilha do mundo” pros seus problemas. Aproveitam da ingenuidade e desconhecimento das pessoas pra enganá-las com falsas promessas. Pense comigo: se um comprimido ou um creme realmente acabassem com varizes e vasinhos, pra que é que existiriam especialistas nestas doenças? Era só você passar numa farmácia, comprar os produtos e “adeus” varizes e vasinhos, não é mesmo?! Portanto, minha cara, você caiu no “conto da cura rápida”, pura enganação!! A Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular já tentou, inúmeras vezes, bloquear estes comerciais nefastos, mas estas “empresas milagreiras” se utilizam de brechas da lei e advogados irresponsáveis para mantê-las no ar. 

9 - Terezinha, de Cambuí: já fiz duas cirurgias de varizes na perna esquerda. Na primeira tirei a safena mas, depois de 06 anos, as varizes começaram a voltar. Então, fiz a segunda cirurgia. Mas agora, passados 03 anos desta última cirurgia, as varizes estão voltando. Por que isso acontece? 
Dr. A. Cardenaz: veja bem, esta é uma questão complicada... Apesar de “parecerem” iguais, as varizes, de uma pessoa pra outra, são completamente diferentes. Muitas mulheres pensam assim: “depois de uma cirurgia, vou me livrar permanentemente destas varizes”. Ledo engano. Algumas até se livram, mas a maioria, não. Explico: quando retiramos uma vesícula com pedras, a pessoa se livra dela permanentemente, pois não possui “duas” vesículas. Retirou, acabou! Mas com veias a história é diferente. Você possui centenas de veias em sua perna. Se tem tendência hereditária pra formação de varizes, esta tendência envolve TODAS as veias, não apenas uma ou duas. Portanto, não é por que tirou uma veia doente que outra não possa aparecer com o passar dos anos. A culpa é da tendência genética, anticoncepcionais, gravidezes, obesidade, etc. Por conseguinte, os vasos ou varizes que o médico retira, ou seca com aplicações, não “voltam” como diz o povão, mas OUTROS vasos doentes podem aparecer. Outra coisa: existem estudos muito recentes, vindos da Europa, afirmando que muitas mulheres possuem varizes PÉLVICAS e nem sabem disso. Mas o que são varizes pélvicas? São varizes que se originam dentro da barriga da pessoa, próximo ao útero e ovários. Estas varizes, com o passar do tempo, crescem tanto que se espalham feito raiz de orquídea. Pela ação da gravidade, elas acabam por descer até a vagina, vulva e glúteos, escapando para coxas. Nas coxas, podem descer internamente por entre músculos e fáscias até a panturrilha, formando as chamadas varizes INTERNAS, em forma de verdadeiros “novelos” venosos. Estas varizes internas lançam “ramos” para superfície, atingindo a pele. Está vendo como cada caso é complexo, Terezinha?  É por isso que cada variz deve ser analisada isoladamente. Às vezes, a safena é a menos culpada de toda esta história e a primeira a ser retirada por médicos inexperientes e não especialistas. Daí a importância de um duplex-scan (ultra-som vascular) bem feito!

10 - Débora, de Sta. Rita do Sapucaí: tenho 28 anos e já fiz muitas aplicações em meus vasinhos, mas eles sempre voltam. Minha mãe vive dizendo que é por que eu faço musculação e ando de bicicleta. Quando é que eu vou ter sossego? É verdade que os vasos que secam na aplicação “voltam”?
Dr. A. Cardenaz: prezada Débora, gostaria que você lesse com atenção a pergunta anterior, da amiga Terezinha, de Cambuí, e a resposta que lhe dei. Basicamente vocês me questionam pelo mesmo motivo: vasos e varizes tratados, “voltam”? Afirmo que não! Vasos e varizes retirados cirurgicamente ou com aplicação não voltam, OUTROS é que aparecem. O surgimento de novos vasos é ainda pior e mais freqüente que o aparecimento de novas varizes. Como já disse, cada caso deve ser muito bem analisado, não só com o “olho” do médico, mas com aparelhagem e tecnologia específica. Outra: tire da cabeça esta história de que vasinhos e varizes pioram com musculação, bicicleta e outros exercícios físicos. Isto é LENDA! Pelo contrário! Exercícios adequados fazem BEM aos vasos e músculos!  Repito o que disse à Terezinha: a CULPA do aparecimento de novos vasos é da tendência genética, anticoncepcionais, gravidezes, obesidade, etc.

11 - Sônia, de Pouso Alegre: acho que as aplicações são muito doloridas... ouvi dizer que a aplicação a Laser é bem melhor que a com agulha, é verdade?
Dr. A. Cardenaz: a questão de dor durante a aplicação é muito relativa. Tenho pacientes que chegam a “cochilar” durante uma sessão de aplicação com agulhas, Sônia. Já tenho outros que pra cada picada escuto um grito. E como se explica a diferença de um pra outro, já que o líquido esclerosante e o tamanho da agulha são os mesmos pros dois casos? Muito simples: Stress. Esta é a explicação. Quando uma pessoa deita na maca calma e tranqüila, a dor é pouca, mas se deita tensa e preocupada, a dor é muito maior. Concorda?
Sobre o Laser: cuidado! Hoje em dia existe uma verdadeira “febre” com esta palavra. Muitas clínicas “de estética” prometem “tratamentos milagrosos” com o Laser. Pura enganação! O Laser é o que existe de mais moderno para vasinhos e varizes, isso eu concordo... mas calma lá! Não são todos os casos, indistintamente, ideais para Laser. Existem casos em que o Laser está contra-indicado. Ademais, o Laser transdérmico é ótimo para aplicação em vasinhos MUITO FINOS e SUPERFICIAIS, e péssimo para vasos mais calibrosos (grossos). Outra: dizer que o laser é indolor também é errado! Os tiros de Laser na pele dão sensação de uma pequena “queimada”, portanto, não é indolor como muitos “propagandistas” dizem. A dor é mínima, mas existe. Apesar disso, tenho utilizado muito o Laser em meu consultório, mas como já disse: em vasinhos pequenos... associado a outros métodos, como a espuma densa e a crioescleroterapia, com ótimos resultados.  

12 - Ana Lúcia, de Borda da Mata: meu irmão tinha varizes nas duas pernas e, como mora em São Paulo, foi submetido a uma cirurgia de varizes “a Laser”. Três dias depois estava trabalhando normalmente. Também tenho um pouco de varizes e estou pensando em operar. A cirurgia “a Laser” é melhor que a cirurgia comum? 
Dr. A. Cardenaz: a cirurgia a Laser, também chamada EVLT, é a moda do momento nos EUA e Europa. Possui a grande vantagem de reduzir, em muito, o tempo de internação hospitalar e repouso pós operatório. Mas veja bem: isso depende do grau e extensão de suas varizes! Já há 02 anos tenho utilizado este método e tido bons resultados na franca maioria dos pacientes. Repito: não são todos os casos ideais para Laser. Muitos ainda precisam de cirurgia convencional. No seu caso específico, tudo vai depender da avaliação e experiência do cirurgião vascular.

13 - Carlos Henrique, de Pouso Alegre: meu pai descobriu um tumor (câncer) no pescoço há 03 anos. De lá pra cá já passou por várias sessões de rádio e quimioterapia. Emagreceu muito, mas conseguiu controlar a doença. Há 06 meses, de uma hora para outra, sua coxa direita inchou muito. Fomos ao nosso médico e ele disse que era trombose. O ultra-som confirmou a doença. Mesmo após o tratamento para trombose não tenho visto muita melhora. Por que apareceu trombose? Ela tem cura?
Dr. A. Cardenaz: este é um caso muito comum no dia-a-dia do angiologista, Carlos. Quando alguém desenvolve um tumor maligno, muitas vezes desenvolve também uma tendência à maior coagulação do sangue. Isto é chamado de trombofilia adquirida, ou seja, o sangue se torna mais apto à formação de coágulos. Trata-se de uma triste realidade, mas é fato. A trombose venosa (TVP) não possui tratamento cirúrgico, só clínico. O paciente tem que iniciar tratamento adequado com heparina e, posteriormente, com anticoagulante oral por vários meses. Quando tratada precocemente, a trombose costuma ter boa regressão.

14 - Vanda, de Pouso Alegre: trombose de veia da perna “sara”? É verdade que exames de sangue conseguem descobrir se a gente tem facilidade pra ter esta doença?
Dr. A. Cardenaz: como já disse anteriormente, Vanda, quando descoberta e tratada precocemente a trombose costuma regredir bem. Mas entenda: só remédio não melhora ninguém de trombose! Além de medicação devemos associar fisioterapia e exercícios físicos específicos, além de elastocompressão.
Com relação aos exames de sangue, sim, você tem razão. Existem exames muito modernos que conseguem detectar se uma pessoa tem tendência a trombose. Chamamos de “pesquisa” ou “perfil” trombofílico. Isto é muito importante em casos onde o angiologista não consegue, clinicamente, determinar a causa da trombose. Também em casos de trombose nos indivíduos de uma mesma família, para tentar descobrir causas hereditárias.

15 - Jonas, de Pouso Alegre: não existe um cateterismo pra desentupir a veia com trombose?
Dr. A. Cardenaz: sim Jonas, existe. Mas esta é uma técnica muito recente, proveniente dos EUA, que ainda está em fase de teste. Muitos especialistas concordam com ela, outros tantos discordam. Ela é chamada de fibrinólise venosa, onde se utiliza um cateter que joga um remédio dentro do trombo, para dissolvê-lo. Já vi alguns casos, em SP, onde houve melhora fenomenal, mas também já vi casos onde não houve melhora alguma.

16 - Fátima, de Cambuí: durante um assalto, em Campinas, meu tio tomou um tiro na coxa esquerda. Os médicos disseram que por pouco não pegou a “veia-artéria”. Mas 03 meses depois do assalto a coxa começou a inchar muito e desenvolver varizes que até “zuniam”. O que foi que aconteceu com a circulação dele?
Dr. A. Cardenaz: primeiro, Fátima: não existe “veia-artéria”. Este é um termo errado que os leigos usam. Possuímos 03 tipos de vaso em nosso corpo: a veia, a artéria e o linfático. Apesar de serem todos vasos, um não tem nada a ver com o outro. Veia é veia. Artéria é artéria. Segundo: o tiro dado em seu tio, certamente, lesou tanto a veia quanto a artéria, provocando o que chamamos de fístula. A fístula não passa de uma comunicação acidental entre a artéria e a veia, provocada pela bala. Estas varizes que “chiam”, como você disse, são veias dilatadas com sangue circulando em alta velocidade, sangue este que vem da artéria. O tratamento pra isso é cirúrgico convencional ou endovascular. Caso não seja adequadamente tratado, pode gerar graves problemas.